Segunda-feira foi feriado de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças, com a B3 fechada. Quem desligou o celular no fim de semana prolongado perdeu uma sexta-feira (9) cheia: o Ibovespa fechou a 209.066 pontos, o maior patamar da história, terminou a semana com alta de 8% e o dólar voltou para baixo de R$ 5, a R$ 4,9856, segundo a CNN Brasil. No mesmo dia, o IBGE divulgou uma inflação acima do esperado.
Neste resumo, a gente passa pelos quatro assuntos que mais pesam no bolso agora e termina cada um com a conta prática.
A conta de luz puxou o IPCA de setembro para 0,82%
O IPCA subiu 0,82% em setembro, segundo o IBGE. O mercado esperava 0,73%, de acordo com pesquisa da Reuters citada pela InfoMoney. Em 12 meses, a inflação chegou a 4,58%, um pouco acima do teto de 4,5% da meta que o Banco Central persegue (o centro é 3%). No acumulado de 2026, a alta é de 3,95%, e todos os grupos de produtos e serviços pesquisados subiram no mês.
A principal causa tem nome: energia elétrica. A conta de luz residencial subiu 7,98% com o fim do Bônus de Itaipu, que tinha aliviado as faturas emitidas em agosto, e respondeu sozinha por 0,32 ponto percentual do índice. A bandeira tarifária amarela continua valendo e acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Passagens aéreas subiram 9,66%, combustíveis 1,41% e, na feira, o tomate disparou 37,76%.
Há um contraponto importante. Parte da alta vem de um efeito que não se repete todo mês, e o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, disse à CNN que as surpresas foram localizadas e não mudam o cenário para a inflação.
No seu bolso. Uma clínica ou consultório com conta de luz de R$ 3 mil por mês paga perto de R$ 240 a mais só com o reajuste de setembro, se acompanhar a média nacional. Do lado do investimento, a notícia é melhor: com a Selic em 13,75%, o pós-fixado ainda rende uns 9 pontos acima da inflação de 12 meses, antes do imposto. Já o dinheiro da reserva parado na conta corrente perde 4,58% ao ano sem fazer barulho.
O Tesouro IPCA+ valorizou feito ação depois do primeiro turno
Depois do primeiro turno, o mercado passou a apostar em contas públicas mais arrumadas e cortou o prêmio que cobrava para emprestar ao governo. Segundo relatório da XP citado pelo Seu Dinheiro, alguns vencimentos de juros futuros caíram mais de 1 ponto percentual em um único dia, o maior fechamento registrado pela casa desde 2018. O Tesouro IPCA+ 2035 saiu de IPCA + 7,55% para IPCA + 6,98% entre 2 e 5 de outubro.
Para entender o efeito, pense numa gangorra: de um lado fica a taxa do título, do outro, o preço. Quando a taxa desce, o preço de quem já tem o papel sobe. É a chamada marcação a mercado. Pelas contas da XP, quem comprou o Tesouro IPCA+ 2050 em setembro acumulava 24,9% de valorização, e o IPCA+ 2035 subiu 8,8% em um mês. Na sexta (9), os juros longos voltaram a cair com as pesquisas do segundo turno: o DI para janeiro de 2035 recuou 23 pontos-base, para 12,37%, segundo a CNN.
A própria XP chama o movimento de reprecificação inicial. Para se sustentar, ele depende de propostas fiscais concretas, da composição da equipe econômica e da capacidade do próximo governo de entregar uma trajetória sustentável para a dívida, antes e depois do segundo turno de 25 de outubro.
No seu bolso. R$ 100 mil no Tesouro IPCA+ 2035 comprados no começo de setembro valiam perto de R$ 108,8 mil na marcação de 5 de outubro. Esse ganho só vira dinheiro na mão se você vender antes do vencimento. Quem segura até o fim recebe a taxa contratada na compra, com ou sem gangorra no caminho. Por isso, a decisão útil passa por saber qual prazo esse título cobre no seu plano.
Os bancos americanos abrem a temporada de balanços com a régua lá em cima
Nesta terça-feira (13), JPMorgan e Goldman Sachs estão entre os grandes bancos que divulgam os resultados do terceiro trimestre e abrem a temporada de balanços nos Estados Unidos. Segundo a Bloomberg Intelligence, em reportagem publicada pela InfoMoney, as empresas do S&P 500 devem mostrar lucro 25% maior que um ano antes. Com as bolsas americanas perto das máximas, o mercado quer números que justifiquem o preço.
A aposta está concentrada. As empresas ligadas a inteligência artificial devem registrar alta de 47% nos lucros, e o setor de tecnologia deve responder por um terço de todo o lucro do S&P 500 no ano. A régua subiu tanto que superar estimativas deixou de bastar: a Micron bateu as projeções neste mês e mesmo assim recebeu uma reação morna dos investidores.
Na quarta-feira (14) sai o CPI, a inflação ao consumidor americana, que mexe na expectativa sobre os juros do Federal Reserve. O ponto fraco que os analistas vão procurar nos balanços é o consumo, pressionado por combustível e crédito mais caros.
No seu bolso. Quem tem ETF de S&P 500 ou BDRs de big techs carrega, muitas vezes sem perceber, uma aposta grande no mesmo tema. Com o dólar perto de R$ 4,98, vale abrir a carteira internacional e somar quanto dela está em tecnologia. Se passar da metade, você está mais concentrado do que o nome “índice” faz parecer.
O bitcoin empacou na casa dos US$ 82 mil
O bitcoin era negociado a US$ 82.381 na tarde de segunda-feira (12), em queda de 1,48%, segundo a InfoMoney com dados da Binance. O petróleo em alta, depois dos ataques na Arábia Saudita no fim de semana, pesou sobre os ativos de risco. A moeda segue cerca de um terço abaixo do recorde de outubro de 2025, quando passou de US$ 126 mil.
Há compradores e há quem esteja saindo. A Strategy, empresa que guarda bitcoin no caixa, comprou mais 250 moedas e chegou a 848.250, com preço médio de US$ 75.444. Do outro lado, os ETFs de bitcoin à vista nos EUA tiveram saídas líquidas de US$ 681 milhões na semana encerrada em 9 de outubro, a maior retirada semanal desde junho, segundo dados da SoSoValue citados pelo CoinDesk. O próximo teste é o mesmo CPI americano de quarta-feira.
No seu bolso. Quem comprou no topo de 2025 ainda está perto de 35% no prejuízo em dólar: cada R$ 10 mil aplicados lá viraram algo como R$ 6,5 mil, antes do efeito do câmbio. Cripto pode ter espaço numa carteira, desde que numa fatia que você aguente ver cair um terço sem vender no desespero. Se essa fatia cresceu sozinha e hoje tira o seu sono, ela já ficou grande demais.
O que juntar disso tudo
Inflação, juros, bolsa americana e cripto mexeram ao mesmo tempo, e cada um puxa a carteira para um lado. Quando as decisões são tomadas uma de cada vez, em cima da manchete do dia, fica fácil acabar concentrado no que acabou de subir.
Uma forma de evitar isso é combinar as regras antes da pressa. O artigo do blog Política de investimentos para família empresária: como criar regras antes da urgência mostra como organizar objetivos, horizonte, liquidez, risco, governança e monitoramento num documento simples, que a família consegue explicar e seguir.
A HealthMoney é uma consultoria fee-only: a remuneração vem só da orientação, sem comissão sobre produto, o que tira o conflito de interesse da conversa. O atendimento é feito por profissionais certificados CFP® e CFA, olhando a carteira inteira.
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Aviso legal: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.
Fontes: InfoMoney, IPCA de setembro · CNN Brasil, fechamento de 9/10 · Seu Dinheiro, Tesouro IPCA+ · InfoMoney/Bloomberg, temporada de balanços · InfoMoney, bitcoin