Quinta-feira, 15 de outubro, Dia do Professor. A quarta-feira rendeu matéria pra semana inteira de aula. À noite, o Senado aprovou por 75 votos a 1 a PEC que acaba com a escala 6×1, e a Câmara aprovou o pacote dos MEIs. De manhã, a inflação americana já tinha vindo mais quente que o esperado. No meio disso tudo, o Ibovespa chegou a cair 1,65%, se recuperou e fechou com leve queda de 0,18%, a 206.505 pontos. O dólar terminou a R$ 5,03.
O fim da escala 6×1 passou no Senado
O Senado aprovou na quarta (14), nos dois turnos no mesmo dia, a PEC que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário e com dois dias de descanso por semana. Foram 75 votos a 1, bem acima dos 49 necessários. Como se trata de emenda à Constituição, não há sanção presidencial: o texto vai direto para a promulgação pelo Congresso.
O calendário, segundo a CNN Brasil: 60 dias depois da promulgação, a jornada cai para 42 horas e as duas folgas semanais passam a valer. Doze meses depois disso, chega às 40 horas. São 14 meses de transição no total.
Os dois lados do debate seguem de pé. O Ipea comparou o impacto da medida ao dos reajustes históricos do salário mínimo, que o mercado de trabalho conseguiu absorver. Entidades empresariais fazem a conta oposta e falam em perda de até 0,7% do PIB, com preços mais altos em comércio e serviços.
No seu bolso: pense numa clínica com três funcionárias em 44 horas e folha de R$ 12 mil por mês. Pra manter a recepção aberta pelas mesmas horas depois da mudança, cada hora trabalhada fica cerca de 10% mais cara, algo como R$ 1,2 mil a mais por mês. Se a saída for hora extra, a conta sobe mais, porque ela leva adicional de pelo menos 50%. Os 14 meses de transição dão tempo pra rever escala, horário de atendimento e preço da consulta sem correria.
A inflação americana foi a 3,7%, e o Fed ganhou mais um motivo pra não cortar juros
O CPI, a inflação ao consumidor dos Estados Unidos, subiu 0,6% em setembro e chegou a 3,7% em 12 meses, contra 3,4% em agosto, segundo o Departamento do Trabalho americano. A gasolina subiu 9,1% no mês e respondeu por mais da metade da alta, com o petróleo pressionado pela guerra com o Irã. O núcleo, que deixa de fora alimentos e energia, passou de 2,4% para 2,6% em 12 meses.
A taxa do Fed está entre 3,50% e 3,75% ao ano. Antes do dado, a ferramenta FedWatch apontava 78% de chance de manutenção na próxima reunião e 22% de chance de alta. O título de 10 anos do Tesouro americano já rende acima de 5%, e a InfoMoney atribuiu a queda da bolsa brasileira durante a quarta à inflação americana e aos juros dos Treasuries, além do risco eleitoral. Vale o contraponto: o CPI não é o índice de inflação preferido do Fed, e o núcleo segue bem mais comportado que o índice cheio.
No seu bolso: juro alto lá fora atrai dinheiro para os Estados Unidos e tende a manter o dólar caro por aqui. Quem tem viagem, escola dos filhos ou outro compromisso em dólar nos próximos meses pode dividir a compra em parcelas mensais, em vez de esperar o dia perfeito. E, pra quem investe lá fora, um título do governo americano pagando perto de 5% ao ano em dólar vira a régua: qualquer aplicação mais arriscada precisa entregar bem mais que isso pra fazer sentido.
A Selic deve cair mais, e o BTG mapeou quem ganha e quem perde
O Boletim Focus divulgado na terça (13), que atrasou um dia por causa do feriado, trouxe a projeção do mercado para a Selic no fim de 2026 em 13,25%, abaixo dos 13,50% da semana anterior. Com a taxa em 13,75%, isso equivale a dois cortes de 0,25 ponto, em novembro e dezembro. A próxima reunião do Copom é em 3 e 4 de novembro, dez dias depois do segundo turno. O ponto de atenção é a inflação: no mesmo boletim, o IPCA esperado para 2026 subiu de 5,01% para 5,22%.
O BTG Pactual calculou o efeito de um corte de 1 ponto percentual nos juros sobre o lucro de 2027 de cerca de 100 empresas. Quem deve muito ganha mais, porque a dívida atrelada à Selic fica mais barata. No varejo, 82% da dívida segue a Selic, e Viveo (+77%), Hapvida (+21%) e Magazine Luiza (+19%) aparecem entre as mais sensíveis. Bancos, seguradoras e empresas com caixa sobrando ficam do outro lado. O próprio banco faz a ressalva: o cenário depende do pacote fiscal do próximo governo, e nenhuma medida clara foi anunciada até agora.
No seu bolso: R$ 500 mil num pós-fixado que paga 100% do CDI rendem algo perto de R$ 68,7 mil por ano com a Selic a 13,75%. Com a taxa a 13,25%, o número cai para uns R$ 66,2 mil, antes do imposto. A diferença de R$ 2,5 mil não muda a vida de ninguém. O que pesa mais é o dinheiro esquecido em produto que paga 70% ou 80% do CDI, porque, a cada corte, fica mais caro deixar ele parado ali.
O FMI cortou o PIB do Brasil, e o Congresso aprovou mais uma conta
No relatório Panorama Econômico Mundial divulgado na terça (13), o FMI reduziu a projeção de crescimento do Brasil de 2,4% para 2,2% em 2026 e de 2,2% para 1,9% em 2027, com o desemprego subindo de 6% em 2025 para 6,8% em 2027. O Fundo atribui a perda de ritmo aos juros ainda altos, à retirada gradual de estímulos fiscais e à incerteza internacional.
Na mesma noite da votação da 6×1, a Câmara aprovou por 461 votos a 4 o projeto que eleva o teto de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, com o perdão de dívidas e o Pix MEI de até R$ 5 mil incluídos no texto, que agora vai ao Senado. O impacto estimado é de R$ 8,1 bilhões em três anos com o novo enquadramento e de R$ 3 bilhões com o perdão. Gasto novo sem fonte clara é um dos fatores que fazem o Banco Central segurar os juros altos por mais tempo, e são esses mesmos juros que o FMI aponta como freio do crescimento.
No seu bolso: pra quem vive de consultório, clínica ou bônus, economia mais lenta costuma aparecer primeiro na agenda, com o paciente que adia o procedimento eletivo e a empresa que segura a promoção. Se a sua reserva de emergência cobre menos de seis meses do custo de vida da família, 2027 é um bom motivo pra completar essa conta enquanto a renda ainda vem cheia.
Rapidinhas da semana
- Alta renda na mira dos bancos: os bancos passaram a oferecer de lounges a programas para herdeiros pra segurar clientes de alta renda, que somam R$ 6,2 trilhões investidos, segundo a Folha.
- Split payment: o mecanismo da reforma tributária que recolhe o imposto no momento do pagamento estreia em 2027, facultativo e só entre empresas. Quem fatura para hospital e operadora é o perfil que entra primeiro no radar.
- Nobel de Economia: Robert Hall (Stanford) e Michael Woodford (Columbia) levaram o prêmio pelos modelos que bancos centrais e governos usam pra suavizar crises.
- FDA: aprovada a primeira injeção subcutânea mensal de olanzapina para esquizofrenia em adultos.
- Saúde: a cirurgia do Papa Leão XIV confirmou adenocarcinoma de pulmão; a operação ocorreu sem complicações.
- Ciência: um chip de 2 mm² implantado no olho fez um paciente com doença de Stargardt voltar a ler uma palavra.
- Tecnologia: ações de chips desabaram na Ásia, e a bolsa da Coreia fechou em queda de 5,5% na terça (13).
- Negócios: Portugal escolheu a Lufthansa pra comprar até 49,9% da TAP, numa operação de 1,2 bilhão de euros.
Uma visão só da sua carteira
Semana de mudança na lei trabalhista, inflação americana e juros em movimento é um bom momento pra olhar o patrimônio inteiro de uma vez. No blog da HealthMoney, o artigo Sua carteira está diversificada ou apenas espalhada entre bancos? mostra como juntar os extratos de banco, corretora, previdência e conta internacional numa visão consolidada, e como checar emissor, prazo de resgate e custo de cada posição antes de mudar qualquer coisa.
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Fontes: CNN Brasil (PEC 6×1, 14/10/2026), Money Times (CPI, 14/10/2026), InfoMoney (mercado de 14/10/2026; FMI, 13/10/2026), Seu Dinheiro (mapa do BTG, 13/10/2026), Mercado Hoje/Estado de Minas (Boletim Focus de 13/10/2026), the news (votação do MEI na Câmara, 15/10/2026), Folha de S.Paulo, Diário do Comércio, InvestNews, AJMC, O Tempo, TechCrunch, Wall Street Journal e Reuters.
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