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Bolsa na reta final da eleição, geração sanduíche, Enamed obrigatório e a comissão escondida no COE | Dose Financeira 20/10/2026

Cinco dias antes do segundo turno, a bolsa reage a cada pesquisa enquanto a conta de 2027 espera quem ganhar. Na mesma semana, um estudo mostra que 7 em cada 10 brasileiros acima dos 50 sustentam alguém, o Enamed vira condição para exercer medicina e o estoque de COEs passa de R$ 100 bilhões sem que quase ninguém pergunte quanto o vendedor ganhou.
Pessoa depositando o voto em uma urna, em fundo escuro Pessoa depositando o voto em uma urna, em fundo escuro

Faltam cinco dias para o segundo turno, e a bolsa brasileira passou a última semana se comportando como um paciente ligado a um monitor: cada pesquisa nova mexia no traçado. Enquanto isso, longe das manchetes de campanha, três assuntos mais silenciosos ajudam a explicar onde o dinheiro de muita família vai parar nos próximos anos. Um estudo sobre quem sustenta quem depois dos 50, uma prova que passa a decidir quem pode exercer medicina e um produto de investimento que bateu recorde enquanto a conta de quem vende segue fora do folheto.

Cada tema abaixo termina no que muda na sua carteira.

A bolsa virou termômetro de pesquisa eleitoral

Na semana seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa subiu 8,82%, o melhor desempenho semanal desde março de 2020, e bateu recorde de fechamento em 209.066 pontos no dia 9 de outubro. Depois disso, as pesquisas apertaram. O Datafolha divulgado na quinta (15) mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto e Lula com 45%. A pesquisa MDA/CNT de sexta deu 46,8% a 45,9%. As duas ficaram dentro da margem de erro. No domingo, o primeiro debate entre os dois, na Band, rendeu mais troca de acusação do que proposta econômica.

Parte do mercado aposta que uma vitória de Flávio traria mais controle das contas públicas, mesmo sem que o candidato tenha apresentado proposta concreta de ajuste. Por isso, cada ponto de vantagem a menos virou queda no índice. O Ibovespa caiu três pregões seguidos, voltou a subir na sexta puxado pela Petrobras e fechou a semana em 205.430 pontos, com baixa de 1,74%, segundo a InfoMoney.

A conta de 2027 chega para quem ganhar

Existe uma parte dessa história que não depende do resultado de domingo. Um levantamento da CNN Money soma cerca de R$ 271 bilhões em medidas do governo injetadas na economia em 2026, entre linhas de crédito, reforço de programas e subsídios. Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado que acompanha as contas públicas, disse à CNN Brasil que o Orçamento de 2027 foi enviado ao Congresso antes do pacote e já está com o limite de despesas preenchido.

Só o reajuste do Bolsa Família deve custar perto de R$ 23 bilhões no ano que vem. E a meta de superávit primário dobra, de 0,25% para 0,5% do PIB. Em outras palavras, quem assumir em janeiro vai precisar remanejar gasto, e os investimentos públicos são os candidatos naturais a corte.

O contraponto existe. Na sexta, o BTG elevou a recomendação para ações brasileiras na América Latina, apostando em juros mais baixos depois da eleição, e o Inter subiu sua projeção para o Ibovespa em 2027, de 204 mil para 240 mil pontos.

No seu bolso: Quem tem R$ 300 mil em ações viu a carteira ganhar cerca de R$ 26 mil em cinco dias e devolver perto de R$ 5 mil na semana seguinte, sem que nada tivesse mudado nas empresas. Mexer na carteira por causa de pesquisa é tentar adivinhar um placar que nem os institutos cravam. O que vale revisar agora é se a parte em ações cabe no seu prazo. Dinheiro que você vai usar em 2027 combina mais com pós-fixado do que com bolsa, ganhe quem ganhar.

Sete em cada dez brasileiros acima dos 50 sustentam ou cuidam de alguém

Senhora de cabelos brancos e óculos abraçando uma criança

O estudo Tsunami Prateado 2026, da consultoria Data8, publicado pela Exame, mostra que 70% dos brasileiros com mais de 50 anos são responsáveis por alguém ou cuidam de outra pessoa. Entre eles, 38% cuidam do cônjuge, 23% dos filhos, 21% do pai ou da mãe e 5,5% dos netos. Quatro em cada dez ainda têm filho morando em casa.

Segundo Layla Vallias, cofundadora da Data8, a fatia dos 50+ que cuida de outra pessoa passou de 37% para 57% em oito anos. Ela resume bem o efeito: o dinheiro dessa pessoa muitas vezes financia os filhos, os pais, o cônjuge e a casa ao mesmo tempo.

Onde aperta

No orçamento, 36% ajudam financeiramente os filhos, 30% apoiam o cônjuge e 18% mandam dinheiro para os pais. Outros 16% pagam contas de familiares pelo aplicativo do banco. O corpo também sente: 39% do grupo é hipertenso e 23% relatam ansiedade.

A coordenadora do estudo, Lívia Hollerbach, propõe um exercício que eu acho útil para qualquer idade: “Precisamos fazer três contas fecharem juntas: a da saúde, a do trabalho e a do dinheiro.” Com os pais vivendo mais e os filhos ainda por perto, o dinheiro guardado para a sua aposentadoria corre o risco de acabar financiando três gerações.

No seu bolso: Uma mesada de R$ 3 mil para o filho na faculdade e mais R$ 2 mil para ajudar no plano de saúde da mãe somam R$ 60 mil por ano. Em dez anos, esse mesmo valor aplicado a 6% ao ano acima da inflação chegaria perto de R$ 810 mil em valores de hoje. Ninguém está sugerindo cortar a ajuda. A sugestão é dar a ela uma linha própria no orçamento, com valor e prazo combinados em casa, em vez de deixar que ela saia, sem ninguém perceber, do que seria a sua aposentadoria.

O Enamed virou obrigatório para exercer medicina

Estetoscópio preto e cinza apoiado sobre uma maca hospitalar azul

Câmara e Senado aprovaram na quinta (15) a medida provisória 1.370/2026, que torna obrigatória a aprovação no Enamed, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, para obter o registro no Conselho Regional de Medicina, segundo o Congresso em Foco. O texto segue para sanção presidencial.

A regra vale para quem ingressou na graduação a partir de 19 de junho de 2026. Serão três provas, ao fim do segundo, do quarto e do sexto ano, com nota final calculada por média acumulada e peso maior para a última etapa. Quem não atingir o mínimo pode refazer a terceira prova em edições futuras. Quem se formar sem a proficiência exigida só poderá se inscrever para atividades técnico-científicas, sem atender pacientes.

Por que agora

O senador Camilo Santana, que presidiu a comissão mista, citou o desempenho insuficiente de quase metade dos cursos privados com fins lucrativos na primeira edição do exame e estimou em quase 21 mil as vagas abertas por decisão judicial. Ele criticou faculdades que cobram “R$ 15 mil, R$ 12 mil, R$ 10 mil” sem entregar qualidade. A lei também obriga cada escola a divulgar publicamente o resultado das três últimas edições do Enamed.

No seu bolso: Seis anos de mensalidade a R$ 12 mil somam R$ 864 mil. Para quem tem filho mirando medicina, a nota da escola no Enamed passa a entrar na conta junto com o preço, porque uma formação fraca agora pode travar o registro profissional lá na frente. Na visita à faculdade, a pergunta que vale mais do que o tour pelo laboratório é simples: qual foi a nota de vocês?

O COE passou de R$ 100 bilhões, e pouca gente pergunta quanto o assessor ganhou

Lupa preta sobre folhas de papel em branco

O estoque de COEs, os Certificados de Operações Estruturadas, passou de R$ 100 bilhões em fevereiro de 2026, cerca de 10% acima de um ano antes, segundo dados da B3. A oferta costuma vir com uma promessa difícil de recusar: ganhar com a alta da bolsa americana, do dólar ou de uma ação, com o “capital protegido”.

Na prática, essa proteção costuma devolver no vencimento os mesmos reais que você aplicou, sem correção pela inflação. E o dinheiro fica preso por anos, porque a saída antes do prazo, quando existe, depende das condições de mercado.

O que não aparece no folheto

Um estudo de pesquisadores da FGV, divulgado pela Suno em 2021, analisou 284 COEs vendidos ao varejo entre 2016 e 2020 e concluiu que 252 tinham retorno esperado abaixo da Selic, a taxa de um título público sem risco. A mesma reportagem apurou que a remuneração da cadeia de distribuição girava em torno de 0,8% a 1% ao ano. Num COE de cinco anos, isso pode render ao assessor cerca de 5%, pagos de uma vez no dia da aplicação.

Isso não transforma todo COE em mau negócio, e nem todo assessor em vilão. O produto pode cumprir uma função quando o investidor entende os cenários e o prazo combina com o plano. O problema aparece quando quem recomenda ganha mais com um produto do que com outro, e o cliente não sabe disso.

A regra que ajuda você a descobrir

A Resolução CVM 179 obriga bancos e corretoras a divulgar quanto ganham com cada tipo de produto e a mandar ao cliente um extrato trimestral com as comissões do período. A Resolução CVM 178, que regula o assessor de investimentos, exige um termo com a estrutura de remuneração e os possíveis conflitos de interesse.

No seu bolso: Num COE de R$ 200 mil com prazo de cinco anos, uma remuneração de 1% ao ano para quem vende soma uns R$ 10 mil saindo do seu retorno antes de o primeiro cenário acontecer. Se você investe por banco ou assessoria, procure o extrato trimestral de remuneração e veja quanto cada produto rendeu para quem te indicou. Se esse número não aparecer, ou se ninguém souber explicar, você já tem a primeira pergunta para a próxima reunião.

Para o resto da conversa, o artigo COE vale a pena? 7 perguntas antes de investir organiza o que perguntar: o que precisa acontecer para o retorno aparecer, se há teto de ganho, o que a proteção cobre de verdade, se o prazo cabe nos seus planos e como quem está vendendo é remunerado.

O que esses quatro assuntos têm em comum

Em todos eles, a decisão que mais pesa fica longe da manchete. Acertar o resultado da eleição ajuda pouco se o dinheiro de curto prazo está na bolsa. A ajuda à família pode ser generosa e ainda assim planejada. Uma faculdade de R$ 864 mil merece a mesma análise de qualquer investimento desse tamanho. E um produto “protegido” só protege de verdade quando você sabe quanto ele custa e quem ganha com a venda.

Se a sua carteira foi montada por indicação de banco ou assessoria, vale uma revisão com outro par de olhos, de alguém que não ganhe nada com o que você comprar.

Uma consultoria sem conflito de interesse

A HealthMoney trabalha no modelo fee-only: você paga pela orientação, e ninguém aqui recebe comissão sobre os produtos que você escolhe. Quem atende é profissional certificado CFP® ou CFA, olhando a sua carteira inteira, do pós-fixado ao IPCA+, da reserva de emergência ao planejamento da aposentadoria.

Se você quer saber se tem produto caro ou mal encaixado na carteira, se ela está pronta para o que vem depois da eleição ou se a ajuda à família está cabendo no seu plano, comece pelo Diagnóstico Financeiro gratuito. É individual, sem compromisso e feito com um especialista certificado.

Aviso legal: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

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