Petróleo despenca quase 8% em um único dia e o mercado teve que se reposicionar em horas. A notícia de que EUA e Irã estavam próximos de um acordo de paz reverteu o barril de US$ 110 para US$ 101, aliviando a pressão sobre combustíveis, inflação e câmbio. Com o dólar caindo a R$ 4,91, menor nível em dois anos, e o Copom sinalizando cautela com a Selic em 14,50%, o investidor brasileiro viveu uma semana de viradas bruscas em todas as frentes.
Mas a volatilidade do petróleo foi só o começo. A temporada de resultados 1T26 trouxe paradoxos que nenhum analista previu: o Inter bateu recorde de lucro e despencou 14%, enquanto o Itaú entregou R$ 12,3 bilhões e sustentou a tese. Lula e Trump se sentaram à mesma mesa, e o que ficou em aberto pode definir o rumo da bolsa em junho.
Uma semana em que o petróleo oscilou US$ 15 em 72 horas, o dólar bateu a menor cotação em 2 anos, Lula e Trump se sentaram à mesma mesa e Powell se despediu do Fed, enquanto a temporada de resultados 1T26 separou os vencedores dos perdedores na B3. Tudo o que você precisa saber está aqui.
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"Em maio de 2026, o mercado aprendeu que resultado recorde não é sinônimo de ação subindo. O Inter lucrou R$ 395 milhões, o maior da sua história e caiu 14%. A Vale aumentou o lucro e decepcionou. O Magalu seguiu no vermelho. A bolsa não premia o passado. Ela precifica o futuro. E essa semana lembrou, com força, que o que importa não é o número que foi, é o número que vem."
🛢️ Petróleo despenca 8% em um dia com acordo EUA-Irã no horizonte
Na quarta-feira (6/5), o Brent despencou 7,83%, encerrando a US$ 101,27 o barril, após a CNBC reportar que Casa Branca e Irã estavam próximos de assinar um memorando de 14 pontos para encerrar o conflito no Golfo, com mediação do Paquistão. A queda foi brutal porque o mercado estava posicionado para o cenário oposto: na segunda (4/5), o WTI havia disparado mais de 4% com novos ataques no Estreito de Ormuz, e o barril chegou próximo de US$ 120 em março.
Para o investidor brasileiro, a oscilação de mais de US$ 15 em 72 horas resume o maior risco do portfólio em 2026: concentração em Petrobras sem stop loss definido. PETR3 e PETR4 foram arrastadas nos dois sentidos, e o Ibovespa sentiu o impacto direto em todas as sessões da semana. O Bradesco BBI avaliou que um acordo definitivo abriria caminho para o Brent retornar à faixa de US$ 80–85, o que seria deflacionário, mas também esvaziaria parte da tese de dividendos da Petrobras.
O que acompanhar: as negociações estão em andamento, mas sem data definida para conclusão. Se o acordo travar ou o cessar-fogo for descumprido, o petróleo pode retornar rapidamente a US$ 110+, com efeito imediato no IPCA, no câmbio e na decisão do Copom de junho.
Ler análiseVeja a posição de Trump
🤝 Lula e Trump se encontram e o Brasil ganhou 30 dias para evitar novas tarifas
O presidente Lula se reuniu com Donald Trump na Casa Branca na quinta-feira (7/5) em encontro com cinco ministros de cada lado. Não houve assinatura de acordos, mas os dois governos criaram um grupo de trabalho bilateral com prazo de 30 dias para revisar a relação comercial, incluindo tarifas, PIX, terras raras e crime organizado. Para o governo brasileiro, o objetivo mínimo foi alcançado: ganhar tempo e evitar novas tarifas a cinco meses das eleições presidenciais.
Os bastidores revelados pelo G1 mostram que terras raras foram a maior surpresa da reunião: os EUA sinalizaram interesse em co-investimentos no Brasil para garantir o fornecimento estratégico do mineral, o que pode abrir uma frente de parcerias de infraestrutura bilionárias no médio prazo. Do lado comercial, exportadores de agronegócio, proteínas, celulose e Embraer mantêm o status quo tarifário pelo menos por mais um mês.
Risco residual: o grupo de trabalho precisa entregar resultados concretos em 30 dias. Se as negociações patinarem, o Brasil pode entrar no radar tarifário americano justamente na reta final da campanha eleitoral.
Veja assuntos tratadosAcordos e operações conjuntas
🏦 Itaú lucra R$ 12,3 bi no 1T26 e mostra por que o banco não para de crescer
O Itaú Unibanco (ITUB4) divulgou na terça-feira (5/5) lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 10,4% ante o 1T25. O ROE de 24,8% reafirma a maior rentabilidade entre os grandes bancos brasileiros e o resultado veio em linha com as expectativas do mercado, o suficiente para sustentar a recomendação de compra de analistas da Genial e do BTG Pactual. O CEO Milton Maluhy destacou "disciplina no crédito" em ambiente de juros altos.
Para o investidor PF: com ROE de 24,8% e Selic a 14,50%, o Itaú continua sendo uma das poucas empresas da B3 que entregam retorno acima do juro sem risco proporcional. Quem tem ITUB4 em carteira recebe sinal verde para manutenção de posição — e quem ainda não tem encontra um ponto de entrada interessante após a queda da quinta.
Resultado completo — InfoMoneyAnálise resultado 1T26
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Petróleo oscilando US$ 15 em 3 dias, Ibovespa caindo 2,38% em uma única sessão e resultados que surpreendem, para cima e para baixo. Em semanas assim, o posicionamento certo é a diferença entre capturar o movimento ou ficar de fora. Faça agora um diagnóstico gratuito com nossos especialistas certificados.
🛡️ Diagnóstico de Carteira Gratuito💵 Dólar bate mínima de 2 anos em R$ 4,90
O dólar encerrou a semana em queda de 1,12%, a R$ 4,90, o menor valor de fechamento desde janeiro de 2024. Em 2026, a moeda americana acumula desvalorização de mais de 10% frente ao real, sustentada pelo diferencial de juros (Selic em 14,50% contra Fed entre 3,5%–3,75%), pelo fluxo estrangeiro recorde na B3 e pela resiliência do saldo comercial brasileiro.
Para o PF: BDRs, ETFs internacionais e fundos cambiais acumulam perdas em reais no ano.
Ler matéria📊 Focus: inflação sobe pela 8ª semana seguida e chega a 4,89% em 2026
O Boletim Focus divulgado na segunda (4/5) mostrou que analistas elevaram a projeção do IPCA para 4,89% em 2026, a oitava alta consecutiva, aproximando-se do teto da meta de 4,5%. A pressão principal é o petróleo acima de US$ 100, que infla combustíveis e fretes. Se o acordo EUA-Irã se concretizar e o petróleo despenca, a trajetória pode reverter rapidamente nas próximas semanas.
Destaque: Tesouro IPCA+ 2035 com yield real acima de 8% segue como uma das melhores relações risco-retorno da renda fixa global atualmente.
Ver análise🏛️ Ata do Copom: Selic a 14,50% com "serenidade" e a guerra no radar
A ata publicada na terça (5/5) revelou que o Copom debateu novamente "alterações mais amplas no balanço de riscos" por conta do conflito no Oriente Médio, mas optou por manter o ritmo de cortes de 0,25 pp. A linguagem de "serenidade e cautela" reduziu apostas em aceleração para 0,50 pp na reunião de junho. O ciclo atual saiu de 15% (março) para 14,50% (abril) e o mercado precifica Selic abaixo de 13% apenas no fim de 2027.
Impacto prático: prefixados de longo prazo só fecham bem se o investidor acreditar em Selic abaixo de 12% no médio prazo — cenário que o Copom ainda não sinaliza.
Ata do Copom — Correio Braziliense🇺🇸 Fed mantém juros na última reunião de Powell e a divisão interna preocupa
Na reunião mais dividida desde 1992, o Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano pela terceira vez consecutiva. A votação foi de 11 a 1 pela manutenção, o único voto dissidente foi de Stephen Miran (indicado de Trump), que defendia um corte imediato de 0,25 pp. Outros 3 membros divergiram no tom do comunicado, resultando na maior divisão interna do comitê em décadas.
Quem vem por aí: Kevin Warsh já passou pela Comissão Bancária do Senado. Com histórico mais hawkish que Powell, Warsh pode desacelerar as apostas em cortes americanos.
Ver reposta de Trump📚 Leia mais sobre Petróleo despenca:
⚡ Giros Semanais
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O paradoxo da semana: o Inter (INBR32) entregou crescimento de 37,8% no lucro e ROE de 15,5%, e viu suas ações caírem mais de 14%, caminhando para a pior queda em 3 anos. O mercado focou na deterioração da inadimplência no crédito consignado privado. Lição: resultado passado não garante ação futura.
O Bradesco (BBDC4) reportou lucro de R$ 6,811 bilhões no 1T26 (+16,1% a/a) e carteira de crédito de R$ 1,09 trilhão. A sombra no balanço: deterioração da inadimplência no agronegócio forçou o banco a adotar viés conservador no apetite ao risco, o que pode limitar o crescimento nos próximos trimestres.
As ações da Vale fecharam a quarta-feira com alta de 3,62%, cotadas a R$ 81,23, impulsionadas pela volta do mercado chinês após o feriado do Dia do Trabalho. O minério de ferro subiu 2,84% na bolsa de Dalian, na China, chegando a 816 iuanes a tonelada, com expectativa de aumento da demanda pelo setor de construção e retomada dos altos-fornos no país.
A Embraer (EMBJ3) registrou receita líquida de R$ 7,5 bilhões no 1T26 (+18% a/a), mas o lucro caiu 51,4% para R$ 145,4 mi e o Ebit ficou 20% abaixo das estimativas do Citi. A aviação comercial registrou a menor margem bruta para um 1T em três anos, pressionada por mix de clientes desfavorável e tarifas de importação nos EUA.
O índice avançou nesta sexta (8/5) com o Payroll acima do esperado e a B3 (B3SA3) reportando lucro recorde de R$ 1,5 bilhão no 1T26 (+33,1%). A retomada de ataques no Estreito de Ormuz, porém, se o petróleo despenca coloca o Ibovespa em melhor posição.
O Magalu (MGLU3) reverteu o lucro de R$ 11,2 mi do 1T25 para um prejuízo de R$ 33,9 mi no 1T26. Despesas financeiras elevadas, consumo ainda fraco e competição acirrada com o e-commerce asiático continuam pesando. A recuperação da varejista segue lenta e dependente de um ciclo de cortes de juros mais acelerado do que o Copom sinaliza.
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